sexta-feira, 15 de julho de 2011

Túlio Maravilha

Por Marcelo Migueres

migueres@gmail.com

A nova peça publicitária do Gol, da Volkswagem, tendo como “garoto-propaganda” o inesquecível Túlio Maravilha e a sua busca messiânica pelo milésimo gol na carreira me fez sorrir, claro, e serviu para reativar alguns arquivos de memória que estavam em algum canto deste cérebro empoeirado. Talvez os torcedores com menos de 30 anos não concordem comigo, mas, na minha modestíssima opinião, Túlio foi o último grande Ídolo (sim, com letra maiúscula) do Botafogo. Seu jeito meio “non sense”, suas frases de efeito, seu marketing pessoal e o inquestionável faro de gol fizeram deste goiano um jogador que marcou época no alvinegro, na metade dos anos 90.

Túlio chegou ao Glorioso em 1994, vindo do modesto Sion da Suíça e, logo na partida de estreia contra o América, balançou a rede adversária por 3 vezes. No mesmo ano foi artilheiro do Brasileirão, feito que igualaria no ano seguinte. Aliás, para os alvinegros 1995 foi um ano inesquecível, não só pelo título nacional, mas pela volta à tradicional sede de General Severiano, após anos de abandono. A cena do camisa 7 carregado em triunfo, no Pacaembu, com a bola da final do Brasileiro numa das mãos e a taça na outra faz parte do meu imaginário de torcedor.



A palavra que bem define Túlio é objetividade. Ele nunca foi craque, longe disso, mas sabia como poucos o ofício de marcar gols. Em 1996, durante a disputa da Libertadores (aliás, já passou da hora de disputarmos novamente o principal torneio continental, não é?), Túlio marcou um gol com outra marca registrada sua – a picardia. A partida contra o Universidad Católica do Chile, no Maracanã, já estava praticamente decidida. O Botafogo vencia por 3 a 1 e, num contra-ataque, o meia Beto cruza da direita. A bola rebate num zagueiro que tenta cortar e ela sobra livre para Túlio que não se contenta em empurrar a bola para o fundo das redes. Ele dá as costas para a meta, coloca a bola entre os pés, a levanta e toca de calcanhar de forma humilhante para dentro do gol. Jamais vou me esquecer disso. Vale a pena acessar e (re)ver o lance:



Amigos, eu sempre digo que ser botafoguense é enxergar todas as cores do mundo em preto-e-branco. Não me interessa se as outras passagens do Camisa 7 pelo Botafogo não tiveram o mesmo brilho. Não interessa se ele jogou por 4.345 clubes (alguns beirando o amadorismo). Não interessa se ele está com 42 anos e é mais um ex-jogador em atividade. Eu sinceramente torço que ele chegue aos sonhados mil gols. Não tenho a menor dúvida – e ele já espalhou isso aos 4 ventos – que se conseguir, será com a camisa do Botafogo, no Engenhão. Eu só sei que estarei lá para ver este momento mágico. Levarei comigo a Cris, o Bruno e o pequeno Miguel. Depois vou poder apontar para a estátua do Túlio, em frente ao estádio, e dizer orgulhoso que o vi jogar e que estava lá quando ele marcou o milésimo gol. Túlio faz falta ao futebol de hoje: politicamente correto e pasteurizado. Túlio Maravilha, nós gostamos de você!

*Marcelo Migueres é pesquisador e historiador, especializado no futebol brasileiro, autor de vários livros sobre o esporte, botafoguense, marido da Cris e pai de dois meninos.

1 comentários:

Thiago Avelar disse...

Lembro do Túlio na Copa América de 1995, quando ele entrava no segundo tempo e salvava a seleção. Quem não esquece do "La Mano de Tulio" contra a Argentina de Batistuta? Infelizmente, na final, fazendo a dupla de ataque com o animal Edmundo, ele tenha perdido a penalidade máxima e o Uruguai acabou sagrando-se campeão. Deixou hisória na seleção com uma média de gols incrível: 12 gols em 14 jogos. Pena, que depois de 1995 tenha se perdido perambulando em vários clubes. És um ícone do futebol brasileiro!