Eu chorei no Maracanã. A lembrança hoje me faz dar risadas. Não da tristeza profunda, mesmo que momentânea, que senti naquele Flamengo e Botafogo. Mas do ingênuo fatalismo que me acometeu ao fim da partida. É que o empate em
Talvez os 11 anos de idade justifique tal reação. É uma possibilidade racional. Não creio que seja verdadeira, apenas a hipótese mais fácil. Por trás do choro, estava a frustração. A certeza de que havia perdido a chance de ver o Mengão sair com o título. Mesmo que fosse apenas do turno. E é difícil lidar com a frustração. Há até aqueles que almejam pouco da vida ou são extremamente pessimistas para evitar a priori situações do gênero.
Aliado a isso, estava a forma como o placar foi construído. O Flamengo, time de melhor defesa da competição, já havia marcado duas vezes ainda no primeiro tempo. O segundo gol, por sinal, contou com a contribuição do goleiro alvinegro, que aceitou um chute fraco de Zinho por baixo das pernas. O Botafogo, que tinha o melhor ataque, composto pelo goleador efêmero Chicão, pelo veloz Valdeir e por um Renato Gaúcho já em decadência, parecia não ter poder de reação para derrubar Júnior, Gaúcho e cia. Era a minha mais recente certeza de garoto.

Hoje, sei que uma das graças do futebol é derrubar certezas em no máximo 90 minutos. À época, isso não parecia correto. Era a minha quarta vez no Maraca, a segunda para ver o Flamengo e a primeira com chances de ser campeão. O sonho ruiu ao apito do juiz. E as lágrimas rolaram. Um rubro-negro mais experiente tentou me consolar, falou que o título viria na próxima partida.
A tranquilidade até me passou segurança de que ele dizia a verdade. Mas não importava. Eu não estaria novamente no Maior do Mundo para presenciar o feito. E eu continuei chorando no Maracanã.
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